Camerata Atlântica

camerata já se ouve no Brasil!

A violinista venezuelana Ana Beatriz Manzanilla radicou-se em Portugal em 1996, quando passou a integrar a Orquestra Gulbenkian. Lançou recentemente um CD de sua Camerata Atlântica intitulado “Fuga para a América Latina”, com repertório que alterna compositores portugueses com latino-americanos.

“Meu pai era amante da música erudita, todos os meus irmãos tiveram alguma formação musical”, declarou em recente entrevista em Portugual, “mas eu e mais um irmão trompetista fomos os únicos da família que seguimos música profissionalmente. Na minha cidade. (Barquisimeto) funcionava um núcleo do El Sistema, e desde o momento que entrei na sua orquestra infantil a minha vida mudou. O resto foi um percurso natural dentro da música e aos meus 13 anos já não tinha qualquer dúvida que ia dedicar a minha vida a ela”.

Por que Portugal?Ana Beatriz diz que foi “o destino. Quando vivia na Venezuela visitei muitas vezes a Europa para masterclasses, concertos, mas Portugal nunca tinha visitado. Quando estava a acabar os meus estudos em Cracóvia no ano de 1995, eu e o meu marido [Pedro Saglimbeni Muñoz], recebemos um convite de trabalho para a Orquestra do Norte, sediada naquela altura em Guimarães. Foi através de um maestro que conhecemos na Venezuela e ele recomendou-nos ao maestro da Orquestra – eu toquei concertino e o Pedro primeira viola da orquestra. Viemos só para viver novas experiências, mas na verdade Portugal começou a entrar nos nossos corações. A qualidade de vida que encontramos cá foi falando mais alto e seis messes depois decidimos tentar a sorte nas orquestras Lisboetas. Foi assim que o Pedro ganhou o lugar que até hoje ocupa na Sinfónica Portuguesa do Teatro Nacional de São Carlos e eu ganhei o meu lugar na Orquestra Gulbenkian, onde tenho muito orgulho de trabalhar. Assim foram passando quase 20 anos e hoje já temos dois filhos nascidos cá”.

A Camerata tem onze músicos de cordas e funciona democraticamente, ou seja, as interpretações nascem do diálogo entre opiniões e diferentes enfoques, até se consolidarem. “Quando chegamos ao concerto temos muita liberdade ao tocar. Respiramos juntos, fraseamos juntos”. E seu objetivo é “promover e divulgar a música de compositores latino-americanos, que sabemos que aqui na Europa são um bocado ignorados. Nas temporadas de música é raro encontrar música de compositores vindos deste lado do planeta. A Camerata já com a palavra Atlântica no seu nome também quer mostrar que é o atlântico o que nos une e nos separa da América”.

Pois este é o CD desta semana.  Além das escolhas naturais – como Piazzolla, Villa-Lobos e o “Mourão” de Guerra-Peixe –, Ana construiu o repertório com espírito de aventura. Assim, a Camerata nos leva a conhecer, entre os venezuelanos, a “Fuga Criolla”de Juan Bautista Plaza, a “Quipa” (dança típica) de Luís García e a “Fuga con Pajarillo” de Aldemaro Romero. Dos brasileiros, ela também incluiu a “Serenata para Cordas” de Nepomuceno. E só duas de Portugal, e do mesmo compositor, o interessantíssimo Eurico Carrapatoso: “Chorinhos I” e “Chorinhos II”.

“Fuga con pajarillo”, peça de 1997, foi regida pelo então candidato no concurso de regência de Bamberg, na Alemanha, chamado Gustavo Dudamel. Ele foi primeiro lugar e iniciou uma fulgurante carreira que o levou ao pódio da Filarmônica de Los Angeles. Dudamel gravou esta peça em CD da Deutsche Gramophon de 2008.

Curiosamente, a escolha de peças brasileiras é mais tradicional do que as dos venezuelanos e portugueses. Melhor para nós, que ficamos conhecendo obras bastante recentes, dos últimos vinte anos.

FAIXAS
1. Serenata para Cordas (Alberto Nepomuceno)
2. Fuga Criolla (Juan Bautista Plaza)
3. Milonga del Ángel – cello Nuno Abreu (Piazzola)
4. Quirpa (Luís García )
5. Bachianas Brasileiras no. 9 (Villa-Lobos)
6. Tres minutos con la realidade (Piazzolla)
7. Chorinhos I (Eurico Carrapatoso)
8. Chorinhos II (Eurico Carrapatoso)
9. Fuga con pajarillo (Aldemaro Romero)
10. Melodia en la menor (Piazzolla)
11. Mourão (Guerra-Peixe)
12. La muerte del Ángel (Piazzolla)

Gravado em concerto em 11 de abril de 2016 no Instituto Superior de Economia e Gestão, em Lisboa.

João Marcos Coelho in Cultura FM, 01 Dezembro 2017 / artigo online

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